A portaria 24 horas é uma grande atração para aqueles que procuram imóveis residenciais em condomínios. Isso porque quem compra ou aluga esse
tipo de imóvel está buscando basicamente a segurança.
Pode-se até argumentar
que a área de lazer é também um atrativo. Mas, exceto nos condomínios clubes,
essas áreas tem seu uso bastante restrito, não atendendo a demanda da maioria
dos moradores: são salas de ginástica com uma esteira e uma bicicleta ergométrica
para dezenas de pessoas. Piscinas pequenas e expostas ao vento e indiscrição
dos moradores do prédio e da vizinhança. Quadra de jogos é área de permanente
conflito por causa do barulho produzido pelos usuários.
A segurança é, portanto, o principal motivo daqueles que procuram
imóveis em condomínios: num apartamento, o morador é mais anônimo para quem
está de fora e até mesmo para os vizinhos, pois há um código de conduta (convenção
do condomínio) que de certa forma acaba delegando para porteiros, zelador e até
o síndico a intermediação das demandas entre os moradores.
No sistema de segurança, a portaria 24 horas é a que exerce
o principal papel: tem o objetivo de dar proteção contra invasores, evitar
assédios de estranhos, filtrar entrada e saídas de moradores, visitas,
prestadores de serviços, encomendas e correspondências.

Mas tudo isso tem um custo. E é a principal despesa do condomínio
representando entre 15 e 17 mil Reais a serem rateados pelos proprietários dos
imóveis. Atenção: essa despesa é só para cobrir os custos de uma portaria 24
horas. O condomínio tem outras despesas como água, energia, limpeza,
manutenção, administrativas, etc.
Como chegamos a esse valor?
- Um condomínio
padrão – com uma portaria 24 horas para controle de acesso- necessita de três
porteiros (um para cada turno), um folguista (para cobrir folgas e férias) e um
zelador para coordenar e suprir eventuais faltas, entre outras funções. Sem
esquecer dos equipamentos como cftv, interfones etc.
O salário médio desses
empregados nas principais capitais têm as seguintes composições:
- Porteiros “diurnos” – entre 05 e 22 horas: mil e cem Reais
cada.
- Porteiro noturno, ou vigia - Entre 22 e 05 horas: mil e
seiscentos e cinquenta Reais.
- Folguista: mil e trezentos Reais
- Zelador: mil e setecentos Reais
Repare que o salário do porteiro noturno é próximo ao do
zelador. Em alguns casos até é maior. Isso porque o porteiro noturno tem uma
série de compensações por conta das características do período de trabalho:
entre as 22 e 05 horas goza da chamada “hora reduzida” – a hora é composta de
52 minutos e trinta segundos, e não 60 minutos. Assim, ou ele trabalha uma hora
a menos que os outros ou tem uma hora extra computada. Mas, além disso, tem
também uma hora extra noturna compulsória, por conta do intervalo remunerado
para refeição, uma vez que normalmente não tem quem o substitua para ele se
ausentar da portaria. Ah! Se ele passar das cinco da manhã, continuará sendo
beneficiado pela hora reduzida.
Já o salário do folguista reflete o rodízio dos horários que
tem que cumprir, substituindo os porteiros.
Essas despesas são acrescidas de encargos e benefícios como:
cesta básica ou vale alimentação; vale transporte; DSR; FGTS; INSS; férias;
abono de férias; substituto para cobrir férias, etc., o que significa quase o
dobro da somatória dos salários nominais.
Ressalte-se que aqui não se tem nenhuma intenção de crítica,
é só uma análise dos custos da “portaria 24 horas”, até porque se considerarmos
a importância das atividades
desenvolvidas por esses profissionais, o salário em si está longe de ser alto. O que precisa ser analisado é se os moradores
do condomínio querem ou não um sistema de portaria 24 horas a um custo médio
aproximado de dezesseis mil Reais.
Essa pode ser considerada uma despesa de partida para a
composição dos custos totais do condomínio. Vale ressaltar que existem outras
demandas. Assim, dependendo da quantidade de unidades pelas quais essas
despesas serão rateadas há que se avaliar por proprietários e moradores alternativas
à “portaria 24 horas”. Alguns condomínios já estão revendo, utilizando-se das
novas tecnologias. O pior é que em muitos desses casos a redução é só no
início, depois os valores vão voltando ao que eram antes. Mas, aí é outra
situação, a princípio, injustificada.
Loamy F. Sá
Imagem: google