terça-feira, 19 de julho de 2016

PORTARIA 24 HS: A PRINCIPAL DESPESA DO CONDOMÍNIO

A portaria 24 horas é uma grande atração para aqueles que procuram imóveis residenciais em condomínios. Isso porque quem compra ou aluga esse tipo de imóvel está buscando basicamente a segurança.
 Pode-se até argumentar que a área de lazer é também um atrativo. Mas, exceto nos condomínios clubes, essas áreas tem seu uso bastante restrito, não atendendo a demanda da maioria dos moradores: são salas de ginástica com uma esteira e uma bicicleta ergométrica para dezenas de pessoas. Piscinas pequenas e expostas ao vento e indiscrição dos moradores do prédio e da vizinhança. Quadra de jogos é área de permanente conflito por causa do barulho produzido pelos usuários.
A segurança é, portanto, o principal motivo daqueles que procuram imóveis em condomínios: num apartamento, o morador é mais anônimo para quem está de fora e até mesmo para os vizinhos, pois há um código de conduta (convenção do condomínio) que de certa forma acaba delegando para porteiros, zelador e até o síndico a intermediação das demandas entre os moradores.
No sistema de segurança, a portaria 24 horas é a que exerce o principal papel: tem o objetivo de dar proteção contra invasores, evitar assédios de estranhos, filtrar entrada e saídas de moradores, visitas, prestadores de serviços, encomendas e correspondências.
Mas tudo isso tem um custo. E é a principal despesa do condomínio representando entre 15 e 17 mil Reais a serem rateados pelos proprietários dos imóveis. Atenção: essa despesa é só para cobrir os custos de uma portaria 24 horas. O condomínio tem outras despesas como água, energia, limpeza, manutenção, administrativas, etc.
Como chegamos a esse valor?
 - Um condomínio padrão – com uma portaria 24 horas para controle de acesso- necessita de três porteiros (um para cada turno), um folguista (para cobrir folgas e férias) e um zelador para coordenar e suprir eventuais faltas, entre outras funções. Sem esquecer dos equipamentos como cftv, interfones etc.
 O salário médio desses empregados nas principais capitais têm as seguintes composições:
- Porteiros “diurnos” – entre 05 e 22 horas: mil e cem Reais cada.
- Porteiro noturno, ou vigia - Entre 22 e 05 horas: mil e seiscentos e cinquenta Reais.
- Folguista: mil e trezentos Reais
- Zelador: mil e setecentos Reais
Repare que o salário do porteiro noturno é próximo ao do zelador. Em alguns casos até é maior. Isso porque o porteiro noturno tem uma série de compensações por conta das características do período de trabalho: entre as 22 e 05 horas goza da chamada “hora reduzida” – a hora é composta de 52 minutos e trinta segundos, e não 60 minutos. Assim, ou ele trabalha uma hora a menos que os outros ou tem uma hora extra computada. Mas, além disso, tem também uma hora extra noturna compulsória, por conta do intervalo remunerado para refeição, uma vez que normalmente não tem quem o substitua para ele se ausentar da portaria. Ah! Se ele passar das cinco da manhã, continuará sendo beneficiado pela hora reduzida.
Já o salário do folguista reflete o rodízio dos horários que tem que cumprir, substituindo os porteiros.  
Essas despesas são acrescidas de encargos e benefícios como: cesta básica ou vale alimentação; vale transporte; DSR; FGTS; INSS; férias; abono de férias; substituto para cobrir férias, etc., o que significa quase o dobro da somatória dos salários nominais.
Ressalte-se que aqui não se tem nenhuma intenção de crítica, é só uma análise dos custos da “portaria 24 horas”, até porque se considerarmos  a importância das atividades desenvolvidas por esses profissionais, o salário em si está longe de ser alto.  O que precisa ser analisado é se os moradores do condomínio querem ou não um sistema de portaria 24 horas a um custo médio aproximado de dezesseis mil Reais.

Essa pode ser considerada uma despesa de partida para a composição dos custos totais do condomínio. Vale ressaltar que existem outras demandas. Assim, dependendo da quantidade de unidades pelas quais essas despesas serão rateadas há que se avaliar por proprietários e moradores alternativas à “portaria 24 horas”. Alguns condomínios já estão revendo, utilizando-se das novas tecnologias. O pior é que em muitos desses casos a redução é só no início, depois os valores vão voltando ao que eram antes. Mas, aí é outra situação, a princípio, injustificada.

Loamy F. Sá

Imagem: google

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